Primeiras impressões...

Sawana, 24 de julho de 2019.

Agora são 11h de uma manhã ensolarada de 12º. A trilha sonora ficou por conta das diferentes espécies de pássaros na árvore à minha esquerda. Em frente, compondo o cenário, contemplo o cristalino rio Oliphantes. Apesar de parecer estático, desloca-se também impulsionado por uma família de hipopótamos, à minha direita, que emerge em busca de ar. Cercas elétricas separam os seres selvagens dos perigosos, porém não os limitam por completo. Mesmo porque, para conter antílopes, javalis, primatas, répteis, insetos e anfíbios é preciso muito mais que choques. Contudo, essa foi a solução encontrada pelo homem para preservar sua segurança.

Já faz sete dias que me encontro na África do Sul. Quando cheguei, após, finalmente, passar pela imigração, depois de muitas perguntas, e pegar a minha bagagem, fui ao encontro de Rhianon, meu contato da Opwall – instituição que coordena a expedição. Ela me apresentou Scholo, o guia turístico que iria nos acompanhar.

A saída do aeroporto é tensa para mim. Nativos falando uma de suas 11 línguas, vestindo um aparente uniforme (colete preto e laranja), tentam de qualquer modo auxiliar com a bagagem cobrando altíssimas gorjetas. Essa busca por garantir o sustento familiar gera disputa, discussões e até mesmo agressões. Seguranças observam atentos, mas esse fato é rotineiro demais para que se envolvam. Logo, apressadamente, entramos no ônibus rumo aos pontos turísticos de Johanesburgo.

A cidade lembra os grandes centros comercias de São Paulo. Passamos por bairros mais nobres semelhantes ao Jardins, mais próximos ao aeroporto, mas o que mais pude observar foram casas que lembravam os primeiros desenhos infantis. Entretanto, não eram coloridas, não tinham uma linda janela central e, muito menos, aquele caprichado telhado na diagonal. Eram apenas retângulos de alvenaria, parecidas com caixotes, algumas em grandes lotes e outras tão coladas que de longe pareciam vagões de trem. Destacaram-se nesse cenário os personagens que não só acenavam, como emitiam o maior e mais alegre sorriso brilhante que já vi.

Após alguns minutos, chegamos ao Carton Center, um dos edifícios mais altos da África do Sul. A visita do topo leva poucos segundos e do seu quinquagésimo andar é possível avistar Johanesburgo em 360 graus. A cidade é linda! Entretanto, ainda muito marcada pela divisão racial.

Scholo nos conta sobre a colonização, a língua, a economia, a população e, consequentemente,  sobre o Apartheid. Contudo, confesso que me surpreendi com o desprezo em relação aos cuidados desses registros históricos. Deteriorando-se com o tempo, empoeirados, rasgados e com os vidros trincados, a história documental evidentemente, por meio de seus fragmentos, resiste para não ser completamente esquecida.

E, por falar em esquecimento, foi na desatenção em atravessar uma rodovia em Soweto que senti duas mãozinhas tocarem as minhas. Não entendi ao certo se elas precisavam do meu auxílio para atravessá-las ou se estavam me chamando a atenção para dar mais valor à vida. Independentemente das razões ou se o objetivo foi alcançado, o fato é que o meu coração foi tocado. Impossível não se sensibilizar.

Seus nomes, eu não sei. A comunicação foi entre olhares. No entanto, as roupas surradas e sujas, passadas de irmão para irmão, constatavam a pior situação que já presenciei. Coincidentemente, para quem acredita no acaso, um grupo de voluntários chegava no local. Vestidos de palhaço, traziam balões, cantavam e dançavam. Logo, adivinha quem os acompanhou?

Vi casas minúsculas feitas de telhas, mas com a recepção de um castelo. Pessoas doentes esperando até quando a máquina corpo não aguentasse mais. No entanto, transbordando colaboração e comprometimento – eles só param quando não puderem mais. Afinal, um precisa do outro.

Em seguida, durante o percurso, Scholo relatou os acontecimentos de 16 de junho de 1976. Estudantes do Ensino Médio de Soweto foram às ruas em um protesto pacífico contra o uso obrigatório do africâner como língua de instrução nas escolas secundárias negras. Os estudantes planejavam se encontrar no Orlando Stadium antes de marchar para os escritórios regionais do Departamento de Educação Bantu, onde pretendiam levantar suas queixas com as autoridades.

Eles carregavam cartazes que diziam “Away with Afrikaans”, “Amandla awethu” (“Poder para o povo”) e “Free Azania” (“África do Sul Livre”) e cantavam o hino Nkosi Sikelel 'iAfrika (God Bless Africa), agora, a base para o hino nacional da África do Sul democrática.

No caminho para o estádio, eles foram recebidos pela polícia, que ordenou que eles terminassem a marcha e se dispersassem. A faixa no chão é a representação da divisão e dos lados ocupados – policiais X manifestantes. Um confronto violento seguiu, os estudantes jogaram pedras e policiais dispararam tiros. Notícias dos acontecimentos em Soweto logo se espalharam, provocando revoltas em todo o país, em que centenas de pessoas morreram. Um dos primeiros a ser morto pela polícia foi Hector Pieterson, de 12 anos. 

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