Novos ares...

No dia 26/7, às 4h30 de uma madrugada congelante, nos despedimos de Balule. Foi bastante excitante percorrer noventa minutos na Savana apenas com as luzes dos faróis de milha. Não parava de imaginar a possibilidade de avistarmos algum dos Big Five em hábitos noturnos.

Como na vinda, fomos até o posto de conveniência – ponto de encontro com Tico – e, após dez horas de viagem e algumas paradas, chegamos em Sodwana Bay, onde ficaremos por mais sete dias.

Durante a viagem, Tico nos contou algumas histórias e, entre elas, a que estaríamos contornando Swaziland. Para alguém desse reino, a visita ao médico só é possível atravessando a rodovia. Entretanto, como do outro lado o território é sul-africano, é necessário que apresentem o passaporte, caso contrário, o atendimento não é realizado.

Além das histórias de Tico, as grandes janelas do ônibus retratavam, como cenas de um filme, lindos campos verdes, extensas áreas de pastos, plantações e bairros rurais. 

Questionei-me quem, de fato, olha para aquelas pessoas. Certamente, o “turismo” não é suficiente. Ademais, tal alternativa não deve ser nada confortável para os moradores. Imagina conviver com a ideia que a sua exclusão social faz parte de um roteiro turístico, mesmo que remunerado. É inevitável não pensar o quão nossas atitudes modificam e contribuem para essa situação. A miséria não só nos tira a vontade de comer, como aflora o sentimento de revolta.

Estávamos próximos de Sodwana Bay. E assim, quando menos esperei, as ruas e a vegetação estavam cobertas por areia. Assim como em Balule, paramos em um ponto e fomos levados para o acampamento. No entanto, algumas coisas mudaram. 

Primeiro, o tempo para chegarmos até o acampamento – cinco minutos. E, segundo, a caçamba do carro sem assento. A partir daquele dia, passamos a ser levados para qualquer lugar em pé. É muito divertido!

​Em Sodwana Bay sinto-me com um pouco mais de liberdade e privacidade – aqui tenho um espaço só pra mim. Logo, posso organizar as minhas coisas sem pensar se estaria incomodando alguém. 

 

É uma pena que o galo não pensa da mesma forma. Todos os dias, às 3h, 3h25, 3h40 e a hora que ele bem entender, ouço a sua sinfonia. Mas como tudo pode piorar, quando ele e suas companheiras resolvem ir embora, surge o gato. Sim, entre as 40 barracas do acampamento, euzinha fui a felizarda. Ele escolheu a minha, só a minha para xeretar.

Como em todo acampamento, aqui temos regras e horários a cumprir. Além disso, só usamos produtos biodegradáveis trazidos do Brasil. 

Ao acordarmos, vamos à praia, mergulhamos e aprendemos sobre os elementos que compõem essa área de preservação ambiental. 

No Índico, a dispersão da luz branca parece comportar-se de modo particular. Ora vemos o mar verde, ora um intenso azul. Isso sem contar o arco-íris em sua superfície. A água é bem fria, não tão salgada e, em suas profundezas, existem lindos e gigantes corais. Os curiosos peixes chegam tão perto que faltamos desviar. Estou até agora inconformada com o sossego das gigantes tartarugas e da assustadora raia manta que nem se incomodaram com a nossa presença. 


Enquanto alguns mergulham ou fazem snorkel, outros dedicam-se à observação de seres vivos nas piscinas naturais e há quem passeie de barco. Especialmente nessa última atividade, é possível observar baleias e o fantástico peixe-voador. Como em uma corrida, os atrevidos golfinhos disputam com o barco para ver quem nada mais rápido. Não dá para explicar o quão maravilhosa é essa interação.

Quanto às atividades, já fiz de tudo um pouco. No primeiro dia de praia, como típica paulistana, já cheguei perguntando para ele qual seria a programação. Então, ele me olhou bem sério e disse: “coffee”. Pensei: “acabamos de tomar café no acampamento e ele me diz ‘coffee’?! Que maluco!”

Entretanto, a expressão de Robbie não me deixou escolha, o segui e pedi um hot chocolate. Foi então que descobri o que ele queria dizer com coffee. Robbie me ensinou algo que passei a amar. Simplesmente, iniciar o meu dia tomando um “hot chocolate” e olhando o Índico. Não é o café ou o chocolate, mas o contemplar, o pensar, o planejar e fazer a melhor escolha.

Nesse momento, restam poucas horas para a despedida, os dias foram passando e o que era forte e causava angústia foi se desintegrando e ocupando menos espaço. A saudade das pessoas é confusa, pois as lembranças faciais parecem vagas. As linhas que demarcam as expressões vão desaparecendo e sobrando apenas os sentimentos. Se toda essa metamorfose foi por conta de Sodwana Bay ou Balule, eu não sei. Contudo, uma coisa é certa, hoje me sinto menos sozinha e mais compreendida por mim mesma.

Sentirei saudades desse paraíso de pessoas.

Sofridas, é verdade.

Mas, acima de tudo, pessoas! 

Sodwana Bay, 30 de julho de 2019.​

Daniela Camargo

Unidade Olavo Bilac 

Berçário, Educação Infantil e
1ºano do Ensino Fundamental
(11) 5522-1555
olavo@colegiomagno.com.br 
Mapa de localização

Unidade Campo Belo

Educação Infantil e 1º ao 4º ano do Ensino Fundamental 
(11) 5041-2566  (11) 5532-1741 
cbelo@colegiomagno.com.br 
Mapa de localização

Unidade Sócrates 

Ensino Fundamental e
Ensino Médio 
(11) 5685-1300 
magno@colegiomagno.com.br 
Mapa de localização