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  • lschwantes9

O tabu em torno dos distúrbios alimentares



Tabu, segundo o dicionário Aurélio, é um assunto de que não se pode ou não se deve falar, que é proibido. Um tabu pode ser visto como algo que deixa as pessoas desconfortáveis, algo que evitam de até pensar muito a respeito. Vendo dessa maneira, distúrbios alimentares podem ser considerados um tabu. Sua existência é algo do senso comum, mas chega a ser duvidável quantas pessoas realmente saberiam dizer o que é um distúrbio, muito menos como ajudar ou incentivar aqueles diagnosticados a buscar ajuda.


Nos dias 07 e 08 de maio, uma nutricionista deu uma palestra para os Freshman, alunos com idade entre 13 e 14 anos. Foi de grande valia, mesmo não sendo estritamente direcionada a falar especificamente sobre distúrbios alimentares. Com a palestra foi possível concluir que, fora os exemplos ditos mais comuns como a obesidade, a anorexia e a bulimia, existem outros distúrbios e que muitas vezes os indivíduos que os desenvolvem tornam-se invisíveis para as pessoas que veem de fora. Essas informações foram mais que necessárias para os estudantes, já que o maior número de distúrbios alimentares se desenvolvem na juventude. Além disso, eles podem desmistificar seus estereótipos, aprendendo também como ajudar os outros. Não é necessário saber profundamente detalhes sobre cada um dos distúrbios, mas muitos não saberiam como ajudar um amigo. Logo, enquanto a ignorância for maior que a solidariedade, nem o maior esforço pode propiciar suporte completo para aqueles que sofrem.


Angústia, medo de não se encaixar no padrão e de não ter o corpo perfeito, sentimento de desamparo e baixa auto-estima são problemas comuns de quem tende a desenvolver algum distúrbio alimentar.Para alguém que possui um desses transtornos, ouvir coisas tais como: “Você deveria comer mais”, “Você faz isso por que se acha feia(o)”, “Comer é tão bom, não entendo como você não gosta”, ”Nossa, nem imaginava que você tinha isso, nem deu pra perceber, você não está tão magra”, “Era tão simples, por que você não me falou que precisava de ajuda?”, ”Por que você só não para com essa besteira?”, “Você deveria pegar leve na comilança, não acha?”, “Por que você não mostra mais o seu corpo? Ninguém vai te julgar”, “Você está ficando forte demais, é feio” podem ser as piores coisas do mundo. É visível que, aparentemente, nada está bom para algumas pessoas, que continuarão a criticar, mas é preciso dizer que falar este tipo de coisa para essas pessoas é quase o mesmo que falar alguém que acabou de se machucar parar de sangrar ou falar para alguém que tem câncer fazer com que suas células parem de crescer desordenadamente. Tudo requer um tempo e contém em si um processo que envolve tanto perceber que algo está errado ou alcançar a coragem para pedir ajuda e se tratar.


Enquanto isso, é importante notar que existem inúmeros distúrbios alimentares, citados pela nutricionista: a vigorexia (caracterizada pela obsessão por músculos, pela compulsão aos exercícios e pelo consumo de substâncias que prometem o aumento da massa muscular), Síndrome do Gourmet (pessoas preocupadas na preparação, na compra, apresentação dos pratos e colocando em segundo plano suas relações sociais, familiares e ocupacionais), a ortorexia (obsessão por consumir alimentos saudáveis e nutritivos o tempo todo e muitas vezes corrigir os outros). Enfim, todos tem uma característica básica em comum: quem os têm possui um relacionamento disfuncional com a comida, deixando fugir do controle.Também é importante ressaltar que os distúrbios não têm preferência de gênero一 mesmo a anorexia e bulimia sendo mais comuns em mulheres一, nem de raça, nem preferência sexual ou de idade. Magreza nem sempre é sinônimo de doença. Se sentir insatisfeito com seu corpo pode, mas nem sempre causa um transtorno. Reforçar os padrões não ajuda, muito menos forçar o indivíduo a agir da maneira que um considera correta. Transtornos alimentares não são bobagens, são complexos. A competição entre pessoas não colabora na melhora. Não é bonito ou legal ter um transtorno, isso não torna sua vida um filme de Hollywood. É extremamente necessário que se quebre esses estereótipos e pare com a glamourização dos distúrbios alimentares.


A conscientização a respeito dos inúmeros distúrbios alimentares que afetam todo tipo de pessoa, física e mentalmente, mesmo dos mais comuns, é muito importante para que se possa alcançar e incentivar o tratamento para pessoas que possuem algum tipo de relacionamento disfuncional com sua alimentação e seu corpo. Assim, elas podem tomar conhecimento da possibilidade de sofrerem desses distúrbios e buscarem ajuda. É importante ressaltar que isso nunca deve ser um motivo de vergonha, pois quanto mais tempo se demora, pior a situação pode ficar. A conscientização ajuda a aumentar o conhecimento das pessoas que não possuem esses distúrbios para que possam ajudar os outros e das pessoas que possuem esses distúrbios, facilitando a sua ajuda e tornando a tarefa da recuperação muito mais fácil.


Por Laura Schwantes


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